sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

TG2 - Evolução tecnológica x inclusão digital

  • Falando a respeito de tecnologia, tudo muda, mas nem tudo se transforma.. O hardware, por exemplo muda mas não se transforma. Vai evoluindo, migrando de plataforma, mas no final é sempre a mesma coisa: um meio para se chegar a um fim. Com o software também é a mesma coisa: ele é a porta de entrada para um universo de produtividade e comunicação que nada mais fez do que mudar a forma de lidar com as informações. Antes era o papel, agora é um monitor. Há assuntos, no entanto, que por mais que a gente pesquise, escreva, debata, reflita, não mudam. Não saem do lugar. Inclusão digital é isso. Em pleno Século XXI, quando as máquinas já dominam o planeta, quando os meios de produção já se modernizaram e o homem já foi capaz de chegar até à Lua e, agora, realiza viagens interplanetárias em ônibus alugados por milionários, há pessoas que ainda sequer deram os primeiros passos. Nem engatinhando estão: continuam paradas em algum canto do espaço, cantinho (ou cantão) reservado aos que não tiveram e nem têm expectativa de ter contato com as inovações. É assim há décadas e, pelo andar da carruagem, assim será por muitas outras.
  • Inclusão digital no Brasil é um tema tão espinhoso quanto inclusão social. Somos um imenso país de desigualdades exorbitantes, onde as classes A, B e um pouco da C não só comem direito e têm acesso à educação e cultura como podem navegar no mar de conhecimento e comunicação que é a internet. Temos mais de 25 milhões de internautas, mas estes ficam concentrados nas três classes econômicas mais privilegiadas, enquanto as demais continuam no limbo da comunicação, como se ainda vivessem no Século XX. Pior: no início deste. Sem acesso a computadores e, em casos ainda mais graves, sem contato com eletricidade e telefonia.
  • A tecnologia se transformou, os equipamentos e os softwares ficaram mais modernos, nasceu até um universo paralelo virtual, o Second Life, onde toda a Humanidade é nova. Mas nem a este novo mundo os excluídos digitais terão acesso porque precisam de computador para chegar até ele. O futuro dessa gente, se assim continuar, será às escuras. Infeliz Brasil, infelizes nós...
Por ROBERT MARINHO

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